Aldeia Lagoa do Mato pede doações para enfrentar crise causada pela Covid-19

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Em meio aos impactos causados pelo avanço do novo coronavírus no Brasil, a Aldeia Lagoa do Mato do povo potiguara, localizada na Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, isolada socialmente para evitar o contágio com o vírus, começa a sentir com a escassez de recursos para compra de alimentos. De acordo com o pajé Guarapirá, muitas das 36 famílias da comunidade indígena estão precisando de ajuda.

“Essa questão da pandemia veio tão forte, atinge a mesa, a alimentação, o medo de andar na cidade e encontrar alguém contaminado… Como líder da minha aldeia, faço um apelo, em forma de mensagem, pois estou preocupado com as famílias que já estão sofrendo com a falta de comida. Isso ainda vai demorar a passar e a cada dia ficamos com menos alimentos”, desabafa. 


Por isso, o pajé Guarapirá pede, para quem puder, ajudar com doação de alimentos não perecíveis, produtos de higiene ou depósito em conta bancária para que possam fazer a compra dos itens. O líder destaca, ainda, que se a doação for superior ao necessário para a comunidade, o excedente será doado para as outras duas aldeias indígenas do litoral norte paraibano, Marcação e Rio Tinto. As regiões abrigam, no total, cerca de 20 mil moradores. 
O pajé faz parte das lideranças indígenas que buscam manter viva a tradição espiritual e cultural dos Potiguaras. Nesta pandemia, está preocupado com o pessoal de sua aldeia, que sofrerá mais fortemente as consequências do isolamento social. Segundo o líder, muitos chefes de famílias estão sem trabalhar, como ele, e isso influencia totalmente na renda mensal. “Eu, que sou da área de educação, estou sem trabalhar desde o fechamento das escolas. Muitos moradores que trabalham em obras também tiveram que parar… é um prejuízo grande”, revela. 


Até o momento, somente um morador apresentou sintomas compatíveis ao novo coronavírus na Aldeia Lagoa do Mato e precisou ficar de quarentena, isolado dos demais moradores. “Ele teve falta de ar, muita tosse… Ficamos com medo porque a cidade é turística, muitas pessoas de fora do estado e do Brasil ficam hospedadas nas pousadas da região”, explica. O paciente foi acompanhado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), mas o caso foi descartado e enquadrado em crise asmática.

Como medida de prevenção ao contágio na comunidade indígena, o pajé conta que recebeu doação de álcool gel 70% e sabão para fazer a higiene das mãos, além de mensagens de conscientização enviadas por carros de som da gestão municipal sobre a importância do isolamento.

Via: Diário de Pernambuco

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