II Encontro da Juventude Indígena do Nordeste tem início na TI Potiguara com a presença de 180 jovens

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A Terra Indígena Potiguara, na Baía da Traição (PB), sediou entre (7) e domingo (9) de fevereiro, o II Encontro da Juventude Indígena do Nordeste. Com o tema Juventude indígena: tecendo redes, sonhos, desafios e perspectivas pela garantia de direitos, cerca de 180 jovens, de 21 povos, debatem pautas envolvendo inquietações que vão desde a garantia dos territórios, passando pela questão das drogas e chegando ao acesso e permanência dos estudantes nas universidades, sob risco com as medidas adotadas pelo governo federal.

Na quinta-feira (6), na aldeia Laranjeira, as delegações começaram a chegar para iniciar o acampamento. “Precisamos bolar estratégias de enfrentamento e resistência a esse governo. Quanto mais conseguimos nos organizar, quando rompemos as barreiras estaduais, entendendo o movimento como regional e nacional, nos fortalecemos”, diz o coordenador de juventude da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Climério Anacé.

Um exemplo citado por Climério, que assumiu o cacicado de seu povo após a morte do pai, trata-se dos entraves vivenciados pelos jovens indígenas quanto ao acesso e permanência dos estudantes nas universidades federais. O cancelamento do edital específico para quilombolas e indígenas, que afeta cerca de 120 estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Os cortes promovidos pelo Ministério da Educação também afetam as bolsas.

“Para os estudantes que estão nas universidades, não há nenhuma garantia de bolsa permanência. Para aqueles que estão entrando agora, podemos dizer que é certeza de que não haverá. Como saímos de nossas aldeias para as universidades, que muitas vezes ficam em outros estados, fica difícil permanecer porque tem a moradia para pagar, não há restaurantes em todas as universidades”, explica Toinha Canindé, que cursa museologia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Sem demarcação, tendo que conviver em permanente insegurança, a juventude indígena sente-se afetada diretamente. Os constantes ataques aos direitos dos povos, sejam eles por agentes de violência nos territórios ou do próprio governo federal, geram graves danos levando muitos destes jovens ao caminho mortífero das drogas. “É uma realidade que não podemos negar. Onde não chega política pública e sobra racismo e violência, nossos jovens se sentem atraídos por essas aventuras por pura falta de perspectiva”, pontua Climério.

Benício Pitaguary entende que o momento demanda uma articulação de classe, com outros movimentos sociais. “Todos os dias saem novas notícias: governo se nega a dar cestas básicas, coloca pastor evangélico para cuidar dos isolados, prioriza o agronegócio em detrimento das terras indígenas, defende o armamento de fazendeiros, apoia madeireiros e grileiros. Agora quer legalizar o crime da mineração em terras indígenas. De alguma forma isso mostra o que ocorre no país com esse governo”, analisa.

Sobre os problemas de acesso e permanência nas universidades, Benício entende que se trata do retrato da educação brasileira. Para o jovem, recém formado em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), impedir ou dificultar a ida de indígenas, quilombolas e populações para o ensino superior é uma forma de aniquilar projetos de futuro destas comunidades. “Eles entendem que os indígenas precisam ser catequizados, desta vez pelos evangélicos. É como se fosse uma nova etapa da colonização”, diz.

O II Encontro da Juventude Indígena do Nordeste é uma realização da Organização da Juventude Indígena Potiguara (OJIP) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Nordeste, que abrange o sertão da Bahia, Alagoas, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Conta com o apoio e a mobilização da Apoinme. 

via: Cimi

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